
As três primeiras décadas do século XX, mostram a rápida evolução da música popular brasileira, até então muito centrada no choro e na música nordestina, duas influências importantes no samba da Pequena África.
Quem foram os protagonistas dessa história? Dentre os homens, há uma unanimidade em se apontar para Hilário Jovino Ferreira (PE 1855, RJ 1933), a quem se deve a criação de um rancho, o Rei de Ouros, em 1893, que mudou toda a concepção vigente. Hilário foi o organizador dos ranchos, uma nova forma de brincar o carnaval e de afastá-lo das festas religiosas.
Dentre as mulheres, a diversidade foi maior. Houve inúmeras “tias”, que foram as mães-de-santo migradas da Bahia para o Rio de Janeiro: Bebiana, Celeste, Dadá, Davina, Gracinda, Mônica, Perpétua, Perciliana, Sadata e Veridiana. Por sua liderança comunitária e seu amor à música popular, o destaque foi para Hilária Batista de Almeida, tia Ciata (BA 1854, RJ 1924). Foi sob a influência delas que se apoiaram os principais sambistas da cidade, como Sinhô, Donga, Caninha, João da Baiana, Heitor dos Prazeres e Pixinguinha. A “velha guarda”. Foi na sala da casa de tia Ciata, na Cidade Nova, que três jovens geniais ditaram a moda: Pixinguinha no sopro, Donga nas cordas e João da Baiana na percussão.
O objetivo deste vídeo foi trazer um pouco do som do que foi produzido na época. Mostra-se aqui um pouco da obra de cada um desses pioneiros, todos negros, todos cariocas, mas em geral filhos de baianas criados na cultura do samba raiado, do sertão baiano, e do samba corrido, de Salvador. Vem deles a transição para o samba chulado, com sotaque carioca.
2 respostas
Gostei muito, conseguistes nos levar a caminhar pela história do samba. Um apanhado de fôlego ! Parabéns e obrigada.
Obrigado, Sonia, que bom que quase cem anos atrás tivemos um Villa-Lobos que entendeu isso.
Aliás, não só um Villa-Lobos, mas um Getúlio Vargas…