Reflexões Inquietas

O gigantismo dos megablocos

Acesse o vídeo em YouTube

A nota apensa resume os argumentos desenvolvidos por vídeo publicado no Youtube.

Ela parte das críticas feitas pelo historiador Luiz Antonio Simas à jornalista Isabela Palhares, no jornal Folha de São Paulo (“Carnaval de rua está sendo solapado por gigantismo dos megablocos”, 16.02.2026: A26/A27).

Essas críticas falam, basicamente, de questões de financeirização e do caráter transgressor do Carnaval, além de questões de mobilidade. Tudo se passa como se o imediatismo do mundo atual, atingisse redutos até então resguardados pelas tradições carnavalescas.

Para ilustrar a palavra de Luiz Antonio Simas, entendeu-se aqui que seria interessante dar um passeio pelas tradições baianas e cariocas, que construíram o samba e suas formas de manifestação pública. Vale dizer, que sustentam o Carnaval brasileiro tal como ele evoluiu ao longo de mais de quatrocentos anos de história.

Na atualidade, novas experiências têm sido partilhadas com um público aumentado e assumido características, em geral positivas. O caso dos megablocos não parece ser uma evolução facilmente aceitável.     

4 respostas

  1. Os bons argumentos da nota permitem adicionar que o destaque que se dá aos megablocos esconde uma realidade muito promissora no desenvolvimento do carnaval de Rua.
    No Rio e Salvador, principalmente, e até São Paulo, indico o Urubó da Freguesia do Ó, há um número expressivo de blocos que mantêm a tradição do carnaval, ao lado de blocos ou megablocos estruturados como forma de ganho financeiros expressivos para artistas famosos, mas que atendem à demanda de centenas de aficionados pelo carnaval de Rua.
    Por isso, é motivador ver o crescimentos dos blocos que “desfilam” parados em várias praças e espaços das cidades brasileiras, não excluindo os “pequenos dentro das cordas”, que recebem multidões – Suvaco do Cristo, Simpatia é Quase Amor, Banda de Ipanema, Areia do Leblon, Cacique de Ramos, Carmelitas, etc…
    Louve-se a participação das Prefeituras, que ultimamente têm sido bem sucedidas na busca organizar a saudável bagunça.
    Enfim, a coisa está indo bem, apesar do descompasso entre a incrível e crescente maravilhosa estrutura das grandes escolas com a pobreza dominante dos sambas enredos.

    1. Obrigado, Carlos Augusto,
      Gostei das suas informações acerca dos “blocos que desfilam parados” e dos “pequenos dentro das cordas”.
      No resumo que fiz para o Reflexões, mencionei que há, de fato, uma série de boas iniciativas em curso, inclusive com a participação das Prefeituras.
      Destaquei, porém, que os megablocos não me parecem ser uma evolução. Eles estão mais para uma apropriação rentista do carnaval, a exemplo do que ocorre em todas as esferas econômicas do mundo ocidental.
      Tudo ali me parece manipulação de interesses econômicos desvinculados dos atores que vivem e criam as tendências carnavalescas.
      Forte abraço

  2. Muito oportuno esse seu texto. Esses megablocos estão se tornando um problema para a democratização do carnaval tradicional e popular.

    1. Obrigado, Newton,
      É preciso aceitar alguns avanços que realmente ajudam a evolução do carnaval.
      A influência explícita, direta, do capital não me parece aceitável.
      O que ocorre com as Escolas de Samba já é mais do que criticável, com a “pobreza dominante dos sambas enredos”, como disse o Carlos Augusto.
      Querem agora dominar a esfera dos blocos, que sempre foi uma projeção democrática da população carnavalesca.
      Que você continue com esse faro incrível para caçar temas que dominam nossas discussões internas.
      Grande abraço

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