
O objetivo desta nota é confrontar os princípios da Economia Política Clássica com as tendências neoliberais que estão ocorrendo na geopolítica mundial. Numa abordagem crítica, entende-se que há um liberalismo clássico, fruto das discussões humanistas do século XIX, e um neoclassicismo, seu filho torto, que se tornou dominante no mundo ocidental a partir do século XX.
Aqui se fala de alguns temas que caracterizam o momento atual do capitalismo. A base dos argumentos veio de Varoufakis e Hudson. Na sequência, a relação entre captura de rendas e neoliberalismo, centrada nas questões da financeirização. Por fim, os próprios desvios com relação às atividades produtivas têm levado as economias a mascarar sua dimensão, quanto mais financeirizada for sua economia.
A leitura de Varoufakis nos leva a um mundo distópico, a uma realidade opressiva, autoritária, que se caracteriza pela captura desenfreada de rendas. O resultado é que o Ocidente já não conta com nenhum país que privilegie a produção e a distribuição do produto social. Seu líder natural, o país que se impôs ao mundo ao final da 2ª. Guerra Mundial, não faz mais do que procurar situações de aparentes rendas fáceis a explorar na geopolítica atual. Há exceções? À vista do exposto, talvez só se encontre foco no lucro produtivo no Oriente, em particular na China.
Faz sentido, então, falar em Zonas de Influência depois de anos investidos em soluções multilaterais? E como ficam os países emergentes, que vêm lutando por maiores e mais profundos espaços na geopolítica internacional? E o Brasil, o que deve fazer o Brasil nessa desordem global? Isso é o que importa e é o que aqui se aborda, ao tratar de temas de infraestrutura, ampliação da rede de ferrovias, e de novas indústrias que visam a produção de novas formas de energia.
4 respostas
Prezados Carlos Augusto e Luiz Afonso, queiram desculpar a demora em lhes dar um retorno acerca do artigo intitulado “APROPRIAÇÃO DE RENDA E LUCRO PRODUTIVO: o Brasil nas tendências neoliberais da geopolítica mundial”, publicado em 09/02/2026 no site Reflexões Inquietas. Eu já o havia lido por ocasião da sua publicação, porém acabei não oferecendo, à época, qualquer comentário.
Enfim, indo ao que importa, gostei muito da abordagem de vocês, primeiramente, por oferecerem uma síntese conceitual e crítica tanto da passagem do liberalismo (econômico) clássico para o neoclassicismo como, principalmente, da ótica neoclássica para a do neoliberalismo vigente, com maior ou menor intensidade aqui ou acolá, desde os anos 1980 até os dias atuais.
Depois, por apresentarem, no item 2 (“Reflexos no Brasil derivados de mudanças na geopolítica mundial”), uma visão dos avanços que, a duras penas, vêm sendo implementados no Brasil em termos de economia real (notadamente no tocante à infraestrutura subjacente), visão essa que raramente é apresentada no noticiário de maior acesso pela sociedade (sobretudo pela classe média e pelas menos favorecidas) e que contrasta, fortemente, com as manifestações de economistas ligados ao mercado financeiro brasileiro, dominantes nas diversas mídias do País e marcadas pela adesão doutrinária “tardia” a teses monetaristas/quantitativistas que, advindas de (ou inspiradas em) Friedman, Hayeck e outros, deram o tom da nova fase do liberalismo (presente a sua historicidade) timbrada como neoliberalismo.
Aliás, nunca é demais ressaltar o quanto a visão neoliberal, condensada no Consenso de Washington (1989), foi e tem sido danosa ao País, seja em termos de desenvolvimento econômico sustentado, seja no tocante à dinâmica social. A sua adoção de modo “quase totalmente” acrítico, inclusive nos meios acadêmicos, por uma elite claramente despreparada (como já diziam Celso Furtado, Darcy Ribeiro e outros), desprovida de “visão de País” e culturalmente caudatária de uma mentalidade colonialista e patrimonialista, trouxe-nos à realidade atual da desindustrialização, da dominância financeira e da ausência de um projeto (claro e integrado) de País.
Conquanto estejamos presos, ainda, à teia neoliberal, devo ressaltar que o otimismo, que mantenho, em relação ao País, viu-se reforçado, agora, pelo contido no referido item 2 artigo.
Enfim, parabéns a vocês pelo trabalho.
Caro José Luiz,
Obrigado por suas palavras.
Fico feliz por ter sido entendido na tentativa de passagem do liberalismo clássico para o neoclassicismo e daí para o neoliberalismo atual.
Mais importantes, porém, são os comentários do Carlos Augusto, que vão abaixo:
José Luiz, os pessimistas, que conheço, no máximo conseguem alinhar uma série de fatos de conhecimento geral, orientados para a divulgação para comportamentos aéticos e desonestos. A questão de avaliar o desenvolvimento das Forças Produtivas no Brasil é objeto de raras observações. Por exemplo, gosto de citar os empreendedores privados e os desembolsos do BNDES para setores voltados à transição energética, incluindo o apoio dos produtores da indústria de transformação – CRRC produzindo trens em Araraquara-SP, ônibus elétricos da Marco Polo em São Mateus-ES, GWM com fábrica de 200.000 carros eletrificados por ano em Aracruz-ES, Portos de açu-RJ e Pecém-CE, todos com atividades modernas e diversificadas e avanço expressivo na indústria de papel e celulose, com destaque da maior do mundo, Arauco em Mato Grosso do Sul.
É sabido meu carinho com o AGRO, que no Brasil dá saltos de produtividade, consequência da absorção de inovações na fronteira das modernas tecnologias, indutora da implantação de estruturas ferroviárias de porte continental, permitindo a exportação de excedentes pelo modernos portos de Santarém, Belém, São Luiz, Pecém , Suape, Açu, Santos, Paranaguá, Itajaí e Rio Grande, além de antever a chegada aos portos do Pacífico, reduzindo em mais de dezena de dias o escoamento de nossas safras. Cidades no Centro-Oeste e Matopiba brotam em poucos anos como resultado desse progresso no Meio-Oeste brasileiro. superando o valor médio dos salários em outras áreas e o consumo médio de energia.
A transformação da cana de açúcar em energia elétrica, álcool, fertilizantes, biogás e biometano é crescente, e junto com o álcool de milho e do DDS (grão seco de destilaria) dão sustentação á pecuária bovina e interiorização de sistemas integrados de produção de frango e porco.
As possibilidades de produção do hidrogênio verde – H2V – e sua utilização em produtos verdes – aço, cerâmicas, fertilizantes, vidros e fármacos, tem poder de transformar a realocação de novos segmentos industriais nos portos citados e contribuir para a reestruturação da eletrificação de nossa frota de veículos pesados.
Aqui, enfatizo que o setor público tem sido liberado para áreas em que o interesse estratégico se impõe – Petróleo, Gás, Terras Raras, Complexo Industrial Farmacêutico e de Defesa, além de Educação Básica e Técnica, ampliação e modernização do SUS e de Centros de Pesquisas -EMBRAPA, Empresa de Pesquisas Energéticas -EPE-, Empresa de Planejamento e Logística – EPL, etc…
De onde vem minha motivação? Muitas fontes, com destaque para Getúlio e Juscelino, que já nos meus 9 anos me motivavam.
Finalmente, repasso minha alegria em ver Ignácio Rangel ressurgir a partir do modelo chinês de desenvolvimento e com suas proposições ganhando espaço na formulação de propostas para o desenvolvimento do Brasil.
Amigos, arrasaram. Desfilaram pela história com argumentos muito convincentes e didáticos. Parabéns. Gostei muito. Nada a acrescentar ou suprimir. 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
Valeu, amigão,
E não se esqueça que muito que está ali vem de suas garimpagens.
Forte abraço de Carlos e meu